24/01/2012
Crise estanca captações e IPOs
A tão aguardada janela de captações externas, espaço que tradicionalmente se abre no mercado internacional em setembro para lançamentos de papéis de dívida ou ações por empresas brasileiras, pode ficar comprometida com a recente piora da aversão ao risco, especialmente para emissões em reais.
Ontem, os mercados globais enfrentaram nova rodada de deterioração, com reflexos diretos para a economia brasileira. O dólar operou em forte alta, com a cotação beirando o patamar de R$ 1,80, antes de fechar cotado a R$ 1,78 - valorização de 2,71%. Em parte, a volta dos temores de um calote da dívida soberana da Grécia puxou o preço da moeda americana ao redor do mundo. Internamente, a perspectiva de desvalorização do real intensificou a especulação, com bancos e investidores reforçando a aposta nessa direção e fazendo a moeda brasileira perder mais valor que outras.
À medida que o real se desvaloriza, as perspectivas para as empresas brasileiras no mercado externo também mudam. Os preços mais elevados dos papéis denominados em reais foram impulsionados pelo título soberano com vencimento em 2022, que subiu mais de 100 pontos básicos nas últimas semanas, voltando ao patamar de maio.
Há duas semanas, a Brasil Telecom conseguiu captar R$ 1,1 bilhão, em reais, mas o prazo, de cinco anos, foi menor que o esperado - sete anos, segundo fontes que participaram da operação. Nesse cenário de maior volatilidade, analistas ouvidos pelo Valor acreditam que neste fim de ano apenas grandes empresas, com grau de investimento, terão espaço no exterior. Havia uma perspectiva mais positiva em agosto, com possibilidade de abertura para uma \"fila de empresas\", mas o cenário mudou.
Também está se formando um consenso entre bancos de investimentos de que dificilmente haverá interessados para emissões de ações por empresas neste ano, a não ser que as condições internacionais melhorem de forma substancial nos próximos meses. A exceção será o grupo espanhol Isolux. Sem novas ofertas, o volume captado no ano até agora, R$ 16,3 bilhões, só perderia para 2004 e 2005 e ficaria muito atrás do movimento de 2008 e 2009.
Fonte: Por Fernando Travaglini e Graziella Valenti | De São Paulo
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